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Região Oceânica vai continuar alagada

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A construção da TransOceânica está descumprindo o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) elaborado para aprovação do financiamento da obra pela Caixa Econômica. Segundo o engenheiro Gonzalo Perez, presidente do Conselho Comunitário da Região Oceânica (CCRON), o consórcio de empreiteiras responsável pela obra está instalando manilhas de apenas 40 centímetros de diâmetro, enquanto o previsto e necessário seria uma tubulação de 60 cm ou, no mínimo, de 50 cm para evitar a repetição dos alagamentos crônicos em bairros inteiros da Região Oceânica, como diagnosticado pelo Rima: “Na área do empreendimento foram verificados pontos de alagamento devido a deficiências relacionados à micro e macro drenagem” (página 71 do documento registrado no Inea).

– A macrodrenagem da TransOceânica teria que ser feita com manilhas de grande porte, o que não está sendo executado. Isto foi feito somente na área do Cafubá e da Fazendinha, onde desemboca o túnel de Charitas. No restante do trajeto ao longo da Estrada Francisco da Cruz Nunes não foi cumprido o Rima – disse o presidente do CCRON.

Relatório destaca pontos de alagamentos na Região Oceânica

O Rima apontou os pontos de alagamentos na Região Oceânica, que são conhecidos há muito tempo pelos seus moradores, como os que estão em frente aos Trevos do Cafubá e  de Piratininga (Multicenter); em frente ao Hortifruti; na altura do Motel Status; do Supermercado Diamante e  do posto Ipiranga, e em  área próxima ao Corpo de Bombeiros, entre outros.

Gonzalo Perez adverte que não adianta apenas construir uma rede de drenagem nas ruas, se esta não tem saída livre para escoar o volume de água das chuvas. É necessário fazer a limpeza permanente das lagoas, rios e canais, o que não acontece há muito tempo. A limpeza das manilhas tem que ser feita anualmente. Já nos rios e canais, a céu aberto, deveria ser de dois em dois anos a retirada de areia, lama e de todo tipo de resíduos que são jogadas nas ruas e levados pela água para a tubulação.

Segundo fontes da Prefeitura, a última limpeza no sistema de drenagem na Região Oceânica foi feita logo após a tragédia do morro do Bumba, em 2011. Depois disso, apenas pequenas intervenções, como capina nas margens do rio João Mendes.

O engenheiro presidente do CCRON, que vem acompanhando a construção da TransOceânica com muita preocupação pelos seus resultados para os moradores, ressalta a falta de planejamento com que a obra vem sendo conduzida pelas empreiteiras, entre elas a Constram do empresário Ricardo Pessoa, condenado na Operação Lava Jato a pena de oito anos por crime de corrupção e também um dos maiores doadores de dinheiro para campanhas do prefeito Rodrigo Neves desde 2002 (segundo o TSE, foram registrados nesse período repasses de R$ 2,27 milhões)

Gonzalo Perez conta que sempre pergunta aos encarregados da Constram sobre quem são ou quando vão à obra os fiscais da prefeitura, mas a resposta é sempre a mesma: ninguém fiscaliza. Esta não é uma obra qualquer, pois mexe com a vida e o bolso dos contribuintes. Orçada em R$ 310 milhões (sendo R$ 295 milhões financiados em vinte anos pela Caixa Econômica, com juros de seis por cento ao ano), se não for feita agora a macrodrenagem como o previsto no Relatório de Impacto Ambiental, depois de a TransOceânica concluída o custo desse reparo vai ser bem mais alto.

Antes de executar essa via expressa que muita dor de cabeça ainda vai dar aos moradores da Região Oceânica, o ex-petista Rodrigo Neves deveria ter dado prioridade às ruas transversais à Estrada Francisco da Cruz Nunes, em vez de deixá-las esburacadas ou sem pavimentação nenhuma, enlameadas nos dias de chuva.

Pelo jeito, essa obra em vez de beneficiar a população segue a toque de caixa somente para o político aparecer perante os eleitores.

Gilson Monteiro

Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.

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