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Região Oceânica teme ficar a pé

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A construção da chamada TransOceânica, além dos transtornos causados por todas as obras, gera uma série de dúvidas a moradores e comerciantes. Nenhuma explicação nem justificativa convincente lhes dá a prefeitura de Niterói. Temem que o projeto de R$ 310 milhões, a serem pagos pelos próximos 20 anos, venha a ser uma TransAmazônica, obra até hoje inconclusa, mas que serviu para muita propaganda política no tempo da ditadura.

O engenheiro Gonzalo Peres, presidente do Conselho Comunitário da Região Oceânica (CCRON), é um dos que ficou sem respostas mesmo depois de ter participado esta semana de quatro reuniões sobre o projeto que vem sendo executado a toque de caixa para ser levado ao palanque do prefeito ex-petista Rodrigo Neves, nas próximas eleições.

Gonzalo afirma que em hora nenhuma a prefeitura esclareceu sobre como vai funcionar o novo sistema de ônibus BHLS, nem o que vai acontecer com as linhas atuais após a existência da pista seletiva que está dividindo a Região Oceânica ao longo da Estrada Francisco da Cruz Nunes.  Outra dúvida é se os moradores de ruas distantes terão transporte local até as estações do BHLS. De antemão já se verifica que os automóveis terão pouco espaço para circular e poucas vagas de estacionamento junto ao comércio da via principal.

– As linha 38 e 39 (Piratininga-Centro e Itaipu-Centro) vão seguir pelo túnel novo até Charitas ou continuarão indo pelo Largo da Batalha até o Terminal João Goulart ? E as linhas 38-B e 39-B, que hoje vão até Charitas, continuarão com este percurso pelo túnel ou pelo Largo da Batalha? – pergunta o presidente do CCRON.

Na verdade, ninguém conseguiu entender até agora qual o objetivo dessa obra. Se os 9,3 quilômetros de via expressa para os BHLS vão atender somente quem vai para a cidade do Rio utilizando os catamarãs ou vão oferecer mobilidade urbana também ao passageiro que quer ir para outros pontos de Niterói são algumas questões sem resposta.

Quanto aos catamarãs, além do preço elevado (R$ 15,40 pela viagem de 20 minutos), esse transporte hidroviário não funciona aos sábados, domingos e feriados. Atualmente, há uma tarifa de integração Itaipu-Rio (R$ 21,82) oferecida pela Viação 1001, mas os ônibus da empresa, que transportam 1.200 passageiros/dia, não poderão trafegar pela pista seletiva da TransOceânica, pois são mais largos do que os ônibus urbanos, que carregam cerca de 600 passageiros/dia.

-Ninguém diz claramente o que vai ser feito. Por que foram projetadas distâncias de meio quilômetro entre cada estação de ônibus? – reclama Gonzalo Perez.

Na foto um ônibus da linha 38 pega passageiros. À direita, a pista seletiva em construção, por onde deverá passar o BHLS.

Gilson Monteiro

Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.

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