Antonio Pedro Fortuna postou essa foto no Facebook. Nativo de Niterói, ele mora no Rio mas mantém sua casa em Itacoatiara. Músico desde a pré-adolescência em Icaraí, Antonio foi baixista dos Mutantes, da Blitz, tocou e toca com muita gente e gosta de reunir amigos em seu pequeno estúdio de Itacoatiara.
A foto foi feita esta semana quando o mar bravio esculpiu essa piscina de ponta a ponta. Do Costão a Prainha. Foi uma mistura de ressaca com maré muito cheia, super lua e quarentena, responsável pela paisagem deserta, 80% menos de poluição no ar, zero lixo na areia.
Um morador de Icaraí postou um vídeo mostrando as águas transparentes no entorno da Pedra do Índio. Na Boa Viagem também tem sido assim, com algumas tartarugas avistadas nas proximidades da avenida Litorânea, perto do Gragoatá.
Seria ótimo, mas não foi a quarentena que começou a resolver a poluição da Baía de Guanabara, charco de promessas e embustes eleitoreiros há décadas. Apesar de urgente, grave, responsável direta por mortes e doenças, a ausência de saneamento se junta ao inchaço populacional e a indolência do poder público em sua perversa escalada letal.
O mar não ficou cristalino porque a Baía de Guanabara parou de receber esgoto. Infelizmente. Segundo cientistas foi a série de fatores que contribuiu para a sua aparente saúde, como maré muito cheia, mais ressaca, mais lua cheia.
Na primavera e verão as nossas praias são massacradas pela mistura de superlotação com falta de educação e incivilidade. Para um bairrista apaixonado por sua cidade é insuportável ter que conviver com o mar tomado de sacos plásticos, água turva, areia que muito lembra os lixões.
A ausência das pessoas nessa trégua da quarentena resulta em areias limpas, o céu nítido (sem a poluição dos motores). Vendo fotos como a do Antonio Pedro, também desejo a utopia de que as praias continuem assim, mas as pessoas logo irão voltar e muitas delas não tem o mínimo de respeito pelos outros, pelas praias, pelo mar, pelo mundo.
Pessoas locais, pessoas de todos os lugares que certamente nunca deitaram numa areia fria de praia, em noite de verão, para contemplar a via láctea que parece estar refletida nas pequenas ondas brancas.
Nas estações mais quentes do ano as praias são invadidas, uma anomalia antagônica a paz dos biomas que se destaca agora nessa quarentena, com sotaque de fim do mundo. Mas é só sotaque.
A praia é um bem público. Ponto. Só que para a tosca e anêmica educação brasileira, “coisa pública” pode ser esculachada. “A praia é pública”, logo, pode tudo. Cachorro, futebol, cocô, xixi, plástico, som nas alturas, bebedeira, drogas, churrasquinho, etc.
Muita gente que mora na Região Oceânica fica presa em casa nos fins de semana. Parece absurdo (e é), mas são pessoas que pagam impostos (caros), trabalham a semana toda, realizaram o sonho de viver perto do mar, mas não podem frequentar as suas praias porque superlotam tudo.
A solução já existe, há tempos, no mundo desenvolvido (China, Austrália, Havaí, etc), o bom e velho sistema de “lotação esgotada”. Simples e baratos, sistemas calculam e monitoram a capacidade máxima de ocupação das praias (carros e ônibus entram na contagem) e utilizando imagens de satélites e de câmeras quando a lotação chega perto do limite os acessos são fechados. Claro, as pessoas são avisadas por aplicativos de celulares, sites, painéis eletrônicos espalhados. Ninguém é pego de surpresa porque antes de sair de casa o aplicativo no celular informa como está a lotação das praias e a tendência para as próximas horas. É como as plataformas que monitoram em tempo real as condições do trânsito, como Waze e Google Maps.
O importante é que a quarentena imposta visivelmente fez bem a natureza. Serviria de lição não fosse a arrogância, a prepotência e o desleixo de muitos gestores públicos.
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