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Coluna do LAM

Os 35 anos da Fluminense FM, a Maldita

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A meia noite em ponto do dia 28 para 1° de março entra no ar o canal Onda Maldita, homenagem aos 35 anos da Rádio Fluminense FM, que entrou no ar as 6 horas da manhã de 1º de março de 1982. O canal pertence ao Sound, do Sistema Globo de Rádio, e vai ao ar no áudio das TVs por assinatura.

Onda Maldita estará no ar, por 15 dias, nas seguintes operadoras de TV por assinatura: Net – canal 300; Sky – canal 474; Claro – canal 338 e Oi – canal 926. Para tirar qualquer dúvida acesse http://sound.globoradio.globo.com/fale-con…/FALE-CONOSCO.htm

Ainda neste 2017 a produtora Luz Mágica, de Cacá Diegues e Renata de Almeida Magalhães, começa a rodar o longa metragem “A Onda Maldita”, com direção de Tomás Portela. É uma ficção, uma ótima comédia, inspirada em meu livro, com roteiro de L.G. Bayão. Também este ano a cineasta Tetê Mattos lança o documentário (longa metragem) sobre a rádio. Ela está na fase de acabamento do filme.

Mais: em homenagem ao Ano 35 a editora Nitpress lançou uma nova fornada da terceira edição (atualizada) de meu livro “A Onda Maldita – como nasceu a Rádio Fluminense FM”. O livro pode ser comprado aqui na internet e com desconto de 50% (!). Veja aqui: http://nitpress.webstorelw.com.br/products/a-onda-maldita

Para fazer o canal Onda Maldita do Sound trabalhei direto ao longo de 34 dias, 15 horas por dia, e selecionei mais de mil músicas. Músicas cujo autores e intérpretes estão ligados diretamente a essência da Rádio Fluminense FM, fases 1982-1985 e 1990, quando estive na direção.

Seguindo uma norma básica da Rádio Fluminense FM, não selecionei para o canal Onda Maldita músicas lançadas pela rádio que acabaram consagradas. A Maldita funcionava assim: logo que uma música lançada por ela tocava em outras rádios, saia do ar e era substituída por outra do mesmo intérprete.

Fiz a programação do canal pensando num grande painel, um mosaico musical aleatório de alta qualidade, uma grande amostra do que foi a Fluminense FM. Se fizesse uma rigorosa edição respeitando critérios harmônicos, ondulação e tudo mais, o trabalho não ficaria pronto a tempo. Algumas músicas da época, em gravações rudimentares que consegui com ouvintes, não resistiram ao tempo e se tornaram inaudíveis. Não pude aproveitar.

Comigo nessa maravilhosa odisseia estão Julia Oliveira, Analista de Produto Sound/SGR e Zequinha Máximo , Programador Musical Sound/SGR.

As músicas pura e simples sentem falta das vinhetas, do texto, do contexto, do humor ácido, corajoso e rebelde, e da locução revolucionária e maravilhosa das meninas da rádio, fases 1982-1985 e 1990. No entanto, as músicas me emocionaram muito.

Sim, 35 anos se passaram mas para mim NÃO parece que foi ontem porque a rádio permanece viva na mitologia popular. Não consigo entender porque gente de todas as idades (12, 15, 20, 40, 60, 70 anos) – sim, pessoas que nem eram nascidas em 1982 – cultua a rádio.

Mas nada teria acontecido se o então presidente do Grupo Fluminense, o saudoso Dr. Alberto Torres, e o Superintendente do Grupo Fluminense, Ephrem Amora (em memória) não tivessem aberto as portas da rádio para mim e Samuel Wainer Filho (saudoso e querido amigo Samuca) em setembro de 1981, para que começássemos a desenhar a rádio. Samuca precisou sair dois meses depois e o resto da história conto, em detalhes, no meu livro.

Agradeço sempre (e eternamente) a João Luiz Faria Netto (consultor do Grupo Fluminense na época) e ao amigo Gilson Monteiro (então diretor do Grupo), dono desse site espetacular, pelo empenho, estímulo e confiança.

Saudade? Claro que sinto. Especialmente da Niterói daqueles tempos. Apesar de suja, esburacada e abandonada, era uma cidade humana e generosa. Você saia pelas ruas a noite em Icaraí, São Francisco, Ingá, Fonseca, e sempre encontrava conhecidos, batia um bom papo. Havia vizinhança, havia rumores, boatos, havia muito humor. Hoje está todo mundo trancado em casa.

Foi esse ambiente de alto astral que a nossa querida “pista de pouso de urubus” (não sabíamos que chegaria ao fundo do poço em que está hoje), como chamávamos na rádio, nos inspirou para fazer da Maldita um marco. Um marco que, em frente a Rodoviária de Niterói, com apenas três quilowatts de potência no transmissor (a Rádio Cidade, por exemplo, tinha 100 quilowatts) que ficava no Sumaré, chacoalhou o país e atingiu o terceiro lugar em audiência (Ibope) no Rio e arredores (Niterói, São Gonçalo, Baixada, interior) em março de 1985.

É por isso que sempre digo: “valeu não. Está valendo”. A alma da Maldita continua flutuando no céu da nação.

Luiz Antonio Mello

Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.

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