Diz que Niterói o capturou desde cedo, tornando-se com o passar do tempo, um excessivo amor, uma quase obsessão, que começou pelo fascínio da Baía de Guanabara. Bairros como Ingá, Flechas, Icaraí e ruas, como a Visconde do Rio Branco, que frequentava ainda menino; assim como o sebo da família Mônaco, são nomes que soam como de um tempo místico, como as velhas barcas Rio-Niterói, formando uma silenciosa melodia, sinais de chegar e partir, diz o imortal.
Marco, de voz mansa, relembra:
“Eu tomava a barca de Icaraí para Santa Rosa. Porque houve sim, uma barca, atrevida, se não tímida ou desvairada que atracava todos os dias no Porto do Salesianos. Fui vela, timão e passageiro dessa barca imaterial. Zarpava da Alameda Carolina, às 6 da manhã. Seguia pela Mariz e Barros, cortando as ruas sonolentas. As janelas bocejavam, e as casas adquiriam enredos inventados. Percorria aquele espaço tempo como quem nada numa torrente de esperanças. Nos intervalos das aulas, ia para o interior da Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, ouvir o padre Marcelo, tocar Bach e Cesar Franck, no maior orgão da América Latina.
A Alameda Carolina, espécie de refúgio secreto, onde eu me perdia, em passeios e leituras, assim como na boca da Ilha da Boa Viagem, de beleza outrora esquecida, com sua ponte frágil.
Niterói me pertence de direito e de fato.
Como niteroiense, tornei-me arqueólogo de uma paisagem devastada, preso aos vestígios, às ruínas deixadas pela selvagem especulação imobiliária, para recompor meus fragmentos, minha infância e a memória da cidade.
Invicta, mas nem tanto, porque lotearam boa parte do céu, com o cipoal de edifícios, devastaram as dunas de Itaipu e aterraram sua lagoa, ferindo a beleza primitiva das praias oceânicas.
Tenho saudade do futuro: uma Niterói praticamente sem carros, boa parte da qual reflorestada, com barcas saindo de muitas partes da baia, sem violência, como se fosse uma pequena república democrática.”
Seu currículo é invejável para qualquer imortal.
Graduado em história pela UFF, possui mestrado e doutorado em Ciência da Literatura na UFRJ e pôs doutorado em Filosofia da Renascença na Universidade de Colônia na Alemanha.
Foi curador de exposições na Biblioteca Nacional com o que celebraram o centenário da morte de dois grandes escritores brasileiros, Machado de Assis, cem anos de uma obra inacabada e uma Poética do espaço brasileiro, sobre Euclides da Cunha.
Lucchesi foi também o responsável pela grande exposição Biblioteca Nacional 200 anos: uma defesa do infinito.
Graças ao seu amplo conhecimento de mais de 20 idiomas ocidentais e extra- ocidentais, destacam-se entre suas traduções obras de Rumi, Khiebnikov, Rilke e Vici.
Com diversos prêmios literários, destacam-se o Prêmio Alceu Amoroso Lima, o Marin Sorescu, na Romênia e o Del Beni Cultural da Itália.
Recebeu três vezes, o Prêmio Jabuti e o título de Honoris Causa da Universidade de Tibiscus na Romênia.
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