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Coluna do LAM

Niterói optou por tiro no escuro no primeiro turno para governador

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De acordo com o resultado da eleição para governador o desconhecido e obscuro ex-juiz Wilson Witzel, que este ano foi a prisão pedir o apoio de Sérgio Cabral e que não tem absolutamente nenhuma experiência em gestão pública, abocanhou a maioria dos eleitores de Niterói.

O enigmático ex-togado abocanhou nada menos do que 38,31% dos votos de Niterói. Em segundo, Tarcisio Motta com 17,12% e em terceiro Eduardo Paes com 16,79%, resultado que surpreendeu os analistas políticos locais. Afinal é difícil entender um voto digitado no escuro, num homem que estreou na política em março deste ano e se por acaso for parar sozinho no Barreto, ou Pendotiba, ou até mesmo na Região Oceânica vai ficar mais perdido do que cachorro que cai de caminhão de mudança. Mas, assim quer o eleitor de Niterói. Assim é. E assim será.

Afinal, há um aspecto crucial que deve ser respeitado em qualquer democracia: o eleitor é soberano, tem o direito de votar em quem quiser, no que quiser. Outro mito que precisa acabar é a velha conversa de que brasileiro não sabe votar. Sabe sim, sabe muito bem. Se o eleitor de Niterói gosta do ex-juiz, indecifrável e misterioso, ele vai votar e ninguém tem nada com isso. Como em algum lugar do passado votou em Jânio Quadros, em Collor, empoderou o PT na prefeitura.

Da mesma forma que a total falta de referências do ex-togado pode ter assustado muita gente, referências que agora começam a surgir no horizonte (esse pedido de apoio a Cabral na cadeia, por exemplo), a história do ex-prefeito Eduardo Paes do velho MDB de Cabral, Picciani e outros também causou repulsa no eleitorado que, como já disse, não é bobo. O fato de Witzel estar sendo apoiado por Bolsonaro e seus filhos é claro que influenciou. Da mesma forma que Paes, visto por muitos como o melhor prefeito da história do Rio, ainda pode virar no segundo turno.

A caixa de pandora vai ser aberta no dia 28 com a realização do segundo turno e caso Niterói continue a seguir esse caminho poderá ajudar a eleger o ex-juiz, pelo apoio de Bolsonaro e pelo fato dele nunca ter se envolvido com política oficial. Muitos brasileiros foram votar com raiva no primeiro turno, ignorando esquerda, direita, centro. Foram lá para expulsar os assaltantes da Lava Jato do cenário, os politiqueiros que arrancaram 13 milhões de empregos e atiraram o Brasil no lamaçal perverso da recessão econômica. Não escapou ninguém. O primeiro turno foi um dos maiores justiçamentos da história eleitoral do país. De quebra sobrou para os engravatados que durante anos viveram às custas dos cativeiros de eleitores que construíram.

Resumindo, a lógica eleitoral foi degolada, os argumentos teóricos idem. O eleitorado, em geral, está com nojo da política, nojo de jogadas. A prioridade é varrer para fora, fazer a faxina, mesmo que isso signifique eleger o pior, o mais medíocre, o mais desqualificado. O que importa para o eleitor é não votar em políticos tradicionais porque essa tradição, em muitos casos, foi desmascarada e teve a sua podridão exposta.

Parece que votar no escuro, passar cheque em branco para “apolítico” é o que importa para o eleitor, menos que em seguida o Estado do Rio seja destruído.

Luiz Antonio Mello

Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.

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