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Niterói, de papa-goiaba a papa-melancia

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Aí que saudade que eu tenho da Niterói papa-goiaba, relembrando minha infância e juventude na Ponta d’Areia, onde o transporte era o bonde e não havia engarrafamento como hoje. O colégio público era o Grupo Escolar Raul Vidal, que tinha ensino de qualidade e dava uma alimentação digna. Foi dirigido por décadas pela grande mestra Jonia Gonçalves da Fonte. Perto do colégio ficava a Escola Fluminense de Belas Artes e ali os alunos iam à hora do recreio para ver, curiosos, grandes mestres da pintura iniciando a carreira.

A Ponta d’Areia vai ganhar ainda mais fama agora como cenário da próxima novela de Glória Peres, na TV Globo. O folhetim, com certeza, vai mostrar as belezas daquela Ponta d’Areia tranquila, emoldurada por pequenas e grandes embarcações ancoradas num mar sereno e com vista para a Ponte Rio-Niterói. No alto do Morro da Penha ainda se vê o belo castelo da condessa Pereira Carneiro, já a igrejinha da Penha, uma pena, está encoberta por novas construções. A vila de casas com o nome do conde Pereira Carneiro, construída para abrigar os empregados do seu estaleiro, permanece com suas ruas tranquilas e familiares.

São tempos que não voltam mais. Não existia violência, ainda porque eram vizinhos do bairro o comando geral da Polícia Militar, a Escola de Formação de Oficiais da PM e a sede do Comando de Policiamento do Interior. Atualmente, sobrou apenas o 12° Batalhão da PM, com um contingente bem abaixo do necessário para coibir a bandidagem que invadiu o lado de cá da baía de Guanabara.

Havia pouca diversão. Umas peladas de futebol na Praia da Vitamina, nome dado pela grande quantidade de frutas jogadas ao mar pelos navios ancorados na baía de Guanabara trazida pela correnteza. Outro lazer eram as domingueiras no Fluminensinho, clube que resiste à especulação imobiliária.

A barcaça Walda transportava carros na travessia para o Rio. Seu cais ficava na Rua Silva Jardim. Tinha um morador do bairro que se vestia de índio, de tanga, cocar, arco e flecha e apito que seguia compenetrado para a Praça Martim Afonso, nas Barcas, para ficar perfilado embaixo da estátua de Arariboia, numa forma de homenagem ao fundador da cidade no dia de seu aniversário.

O point do comercio de Niterói era nas ruas da Conceição e Visconde do Uruguai; atração turística, o trampolim da praia de Icaraí. Naquela época, os políticos não eram envolvidos, citados ou investigados por malversação do dinheiro público.

Lembrei-me disso tudo porque circula nas redes sociais um vídeo com um pessoal do PT comemorando o resultado das eleições do segundo turno enaltecendo a melancia. Era melhor o tempo da Niterói papa-goiaba em vez da Niterói papa-melancia de hoje.

 

Gilson Monteiro

Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.

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