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Coluna do LAM

Melhora na segurança volta a movimentar a cidade

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Pouco a pouco a vida noturna (e até diurna) de Niterói volta a respirar, após um longo período atirada nas trevas por causa da bandidagem agindo livremente. Até meses atrás, eram comuns os arrastões em bares, restaurantes, nas calçadas, feitos por quadrilhas armadas de fuzis. Acuada, a população se trancou em casa e, por isso, vários estabelecimentos comerciais faliram.

Bairros como Fonseca, Barreto, Santa Rosa, Jardim Icaraí e Icaraí pareciam em guerra civil. “Passei a fechar as 19 horas para evitar o “pedágio” imposto pelas quadrilhas. De 15 em 15 dias, armados, eles entravam aqui e esvaziavam o caixa”, explica o dono de um restaurante no Jardim Icaraí que quase fechou as portas. “Não fechei por teimosia. Em algumas noites eu abria só para clientes mais conhecidos, mas fechava as portas assim que entravam. Ficávamos trancados. Agora voltei a fechar as 23 horas e não sou molestado há meses”.

O gerente de uma farmácia no Fonseca diz que era obrigado a fornecer remédios controlados para os bandidos. “Eles vinham toda semana, as vezes no meio do dia exibindo os fuzis. Levavam o dinheiro, celulares e dinheiros dos clientes e boa parte do estoque de medicamentos controlados como ansiolíticos, hipnóticos e antipsicóticos. Só não pedi demissão porque preciso do emprego, mas há tempos eles não aparecem”.

Em Santa Rosa, o dono de uma mercearia não resistiu, fechou e mudou-se para Campinas, SP. “Eles vieram em bandos, duas, três semanas seguidas…até que me bateram…coronhadas com os fuzis e fui parar no hospital. Fechei o bar, mas de vingança invadiram a minha casa, bateram nos meus filhos, por isso deixei Niterói onde nunca mais pretendo pisar porque não acredito que aquele terror tenha passado. Não acredito”, conta, por celular, graças a intermediação de um irmão que nos colocou na linha.

Os números do Instituto de Segurança Pública mostram bons resultados do programa Segurança Presente, um mix de prefeitura com Polícia Militar.

Segundo o ISP, em outubro a maior queda foi de roubo de carros, 75,52%, seguida pelo roubo de rua, 50,51%, em comparação com o mesmo período do ano passado. Os técnicos do Observatório de Segurança apuraram ainda uma queda significativa no índice de morte violenta, com queda de 23,81% em relação a outubro de 2018.

Mas os números parecem não sensibilizar as seguradoras que tem aplicado uma redução no valor das apólices para veículos, mas com percentuais irrisórios. Afinal, é preciso se dar bem em tudo.

Por ano, a prefeitura investe R$ 55 milhões no Niterói Presente, que já funciona em Icaraí, Centro, Santa Rosa, Jardim Icaraí, Ingá e Fonseca.

Apesar dos resultados, a permanência ou não do programa vai depender, para não variar, da política. Ano que vem haverá eleição para prefeito e, em Niterói, os analistas preveem uma acirrada disputa entre o PSOL, o PSL dos Bolsonaro e o candidato do prefeito. Segundo o deputado federal Marcelo Freixo, o PSOL fará alianças com o PT e PC do B no RJ. Os outros partidos também farão suas coligações.

Indicado por unanimidade pelo PSOL, pela terceira vez o deputado estadual Flávio Serafini é o pré-candidato psolista a prefeito. Do outro lado da urna está o deputado federal Carlos Jordy (PSL). Ex-vereador em Niterói, ele chegou ao Congresso pelas mãos da família Bolsonaro. É muito próximo de Flávio Bolsonaro (Jair, o pai, teve 62% dos votos aqui) que comanda a eleição municipal no Estado do Rio.

Muita discussão em torno do sucessor do prefeito Rodrigo Neves. Gente experiente em política comenta que o deputado Chico D’Ângelo, ex PT e hoje PDT, é um nome forte, com boa penetração. O deputado estadual Waldeck Carneiro (PT) também estaria no páreo. Paulo Bagueira (SD), hoje deputado e ex-presidente da Câmara dos Vereadores seria também uma forte indicação. Fala-se, também, na competente e carismática Giovanna Victer, secretária de fazenda e de Axel Grael, secretário de planejamento. Outro nome é o veterano Comte Bittencourt (PPS), que já tem feito encontros com eleitores.

Vamos ver.

Bicicletas não tem onde parar em Icaraí

Apesar do aumento de quase 200% no número de ciclistas de 2018 para este ano, a cidade vacila. Muita gente está deixando o carro em casa e usado as bikes para fazer comprar ou ir a compromissos em Icaraí. Nãoa enfrentam congestionamentos, é um transporte rápido, mas onde parar?

Nas imediações do Plaza Shopping!, vejam vocês, não há bicicletário com capacidade para atender a demanda. Os ciclistas são obrigados a procurar outra rua. Na foto, esquina de Lopes Trovão com Tavares de Macedo,  bicicletas são amarradas a poste por falta de local adequado.

Há muita queixa dos ciclistas quanto a truculência do trânsito. É verdade. Andar de bicicleta pela cidade é perigoso porque faltam vias adequadas (são raras as ciclofaixas) e os motoristas “não enxergam,” as bikes. Por isso, os amigos do Coletivo pedal Sonoro (www.pedalsonoro.com.br) alertam:

– colocar sinalizadores luminosos (25 reais) na frente e atrás. Os carros enxergam.

– jamais andar na contramão porque os motoristas estão olhando para o outro lado.

– andar sempre a direita a pelo menos um metro do meio fio. Em caso de necessidade dá para jogar a bicicleta na calçada.

– não ouvir música para ficar atento a buzinas e barulhos.

– caso haja necessidade de usar a calçada, descer da bicicleta e conduzi-la andando. Calçada é para pedestres.

Ônibus desaparece e revolta passageiros

Passageiros da linha 740 D (Charitas-Copacabana) da 1001(passagem a R$ 8,20), que padecem esperando o ônibus debaixo de uma cabana que chamam de parada na Praia de Icaraí quase esquina com Presidente Backer, não aguentam mais os sumiços. Terça-feira, as 11 da manhã, várias pessoas aguardavam, mas o 740 demorou quase 40 minutos. Mesmo assim tiveram que embarcar no “pau de enchente” apelido dos veículos da empresa Braso Lisboa (também explora a 740D) que, velhos, jogam os passageiros de um lado para o outro e a passagem custa R$ 11,00.

Será que os ônibus da 1001 saem do ponto final, em Charitas, atrasados e cortam caminho excluindo a Praia de Icaraí? O que faz o Detro, órgão estadual que deveria fiscalizar?

 

 

Luiz Antonio Mello

Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.

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