Nasceu e morreu repórter. Jourdan Amora, diretor de A Tribuna, faleceu aos 87 anos, na manhã de domingo (19), no Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), e será velado hoje, segunda-feira (20), no auditório do Parque da Colina, das 12h45m às 14h45m.
Chegou ainda adolescente de Araçuaí, já com o espírito jornalístico aguçado pela sede de notícia. Aos 14 anos, fundou o Jornal Praia das Flechas, que em pouco tempo evoluiu para a Folha Juvenil — o início de uma longa e movimentada trajetória profissional.
Em 1950, suas reportagens passaram a ser publicadas com frequência em três jornais de Niterói: A Palavra, Diário do Povo e Diário do Comércio.
Ainda não havia ponte, mas as notícias de Jourdan Amora atravessaram a Baía e chegaram às páginas do Diário Carioca, Jornal do Brasil e Última Hora, onde manteve uma coluna movimentada por muitos anos.
Em 1965, durante o período revolucionário, foi demitido do Jornal do Brasil, acusado de ações subversivas.
Com as portas dos grandes veículos fechadas, Jourdan Amora, com coragem e determinação, decidiu comprar A Tribuna para realizar o sonho de ter seu próprio jornal e publicar suas matérias sem qualquer interferência editorial ou censura.
Sua independência teve um preço: ao denunciar o governo revolucionário de Raimundo Padilha, foi preso na própria redação por agentes do DOPS.
Em 1972, criou o Jornal de Icaraí, o primeiro jornal gratuito distribuído porta a porta, com ampla circulação até os dias de hoje.
Sob seu comando, A Tribuna formou gerações de jornalistas que hoje atuam em diversos meios de comunicação do Estado do Rio de Janeiro.
Seus filhos, Gustavo e Luiz Jourdan, nasceram entre notícias e máquinas, e há muitos anos vêm ajudando o pai a conduzir a empresa, A Tribuna e o Jornal de Icaraí.
Perdi um velho e querido amigo-irmão. E a cidade perdeu o Velho Repórter — sempre atento aos acontecimentos de Niterói, que ele passou a amar desde que chegou do interior de Minas Gerais.
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