Resolvemos ir ontem ao supermercado e ao hortifruti e tomamos um grande susto com o preço absurdo dos legumes, frutas e hortaliças que sempre foram produtos mais em conta e de essencial importância para a saúde e a mesa do brasileiro. O meu espanto maior foi com o preço do inhame, oferecido nas prateleiras por R$ 16,99, o quilo. Tinha também a abóbora moranga, a R$ 34,99; a batata baroa, a R$ 20,99; e a cebola, a R$ 10,49.
Liguei para Carlos Moacir de Matos, que há décadas tem um boxe no Ceasa do Colubandê, em São Gonçalo. Ele disse que a alta elevação dos preços, principalmente dos legumes, é devida à seca que atingiu o interior do Estado, segundo queixa dos produtores.
Lembrei com saudade de quando, há mais de sete décadas, eu fazia o primário no Grupo Escolar Raul Vidal, na Avenida Feliciano Sodré, o nosso alimento principal era o inhame. A escola dirigida por uma vida inteira pela professora Jonia Gonçalves da Fonte, que se preocupava muito com a alimentação de seus alunos, mesmo com os parcos recursos de que dispunha.
Ao término das aulas, a abnegada diretora fazia questão de que todos fossem para casa alimentados. O Raul Vidal ofereceria diariamente um cardápio de sopas nutritivas e, aquela que até hoje me deixa com saudade na boca, era justamente a de inhame com peito bovino.
Eram duas opções de sopas diárias, tinha a caldo de feijão com a massa de estrelinha, a canja de galinha, as sopas de legumes e de fubá com carne, de abóbora e outras. Dava tranquilidade para muitas mães, como a minha, dona Betinha, que trabalhavam fora e tinham a certeza de que seus filhos saiam da escola pública com refeição nutritiva.
Depois muitos anos mais tarde vim saber da importância desse tubérculo, rico em carboidratos e baixo índice glicêmico, sendo uma ótima opção para dar energia durante a atividade física e para a manutenção do peso saudável. O inhame é privilegiado em fibras, proteínas, vitamina C e complexo B.
A disparada de preços também aconteceu naquela época, como agora, mas o governo federal cuidou de regular o mercado. Recordo que, ainda de calças curtas, fazia compras no caminhão da Comissão Federal de Abastecimento e Preços (COFAP), que ficava estacionado na Praça Araribóia. O programa foi criado por Getúlio Vargas para vender bem mais em conta os produtos de primeira necessidade ao povo.
Lembro que depois da sopa do tradicional grupo escolar chegava em casa com energia total. Vestia o short, feito de uma calça velha cortada acima do joelho e ia para a praia em frente ao Fluminense de Natação e Regatas, clube que ali resiste há 106 anos, vizinho do Mercado de Peixes São Pedro.
Depois da pelada, o mergulho no mar era consequência, apesar de a água não estar tão límpida, porque os navios fundeados na Baía de Guanabara jogavam fora frutas e legumes estragados, além de outras coisas que a maré trazia para o lado de cá. Daí o apelido de Praia da Vitamina, dado a esse recanto da Ponta d’Areia.
Só tenho a agradecer ao cacique Arariboia aqui chegar ainda menino do Recife, vindo morar na Vila Pereira Carneiro quando Niterói era a capital fluminense, e poder tomar a nutritiva sopa do colégio Raul Vidal e ainda conhecer, na hora do recreio, artistas plásticos da Escola Fluminense de Belas Artes, que funcionava junto ao Raul Vidal. Muitos daqueles pintores depois tiveram projeção internacional.
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