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Engenheiro revela em livro a alma dos casarões de Niterói de antigamente

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O engenheiro José Bedran Simões assistiu de perto o crescimento de Niterói, sua transformação urbanística e a verticalização, principalmente da Zona Sul. Antigas residências e terrenos arborizados cederam espaço aos arranha-céus acabando com a vida tranquila de antigamente.

Agora o niteroiense, descendente de uma família de libaneses, resolveu aos 81 anos de idade escrever sobre “A alma dos casarões”, livro que acaba de lançar pela Editora Multifoco (contato@multifoco.com.br).

Bedran tem um currículo vivido em casarões sólidos, muitos com estruturas em pedra argamassada com óleo de baleia, paredes de tijolos maciços, pés direitos de mais de 4,5m e assoalhos de pinho de riga, que perfumavam o ambiente e lhe acompanharam por toda a vida. Os casarões, diz o engenheiro, lhe inspiraram confiança a escolher a carreira de sua vocação.

Nasceu pelas mãos habilidosas da médica alemã Gertrudes Boedner, no casarão da rua Presidente Pedreira 143, onde vivia sua família. Depois, mudaram-se para outro, na Praia das Flechas 75, endereço que Bedran viu dar lugar a um edifício, onde mora até hoje.

A alfabetização e o primário, fez com a professora Lecy Brandão. Ela fundara no casarão onde morava na Rua Presidente Pedreira, o Instituto Santa Infância, em frente à Igreja do Ingá.

Uma vida inteira nos casarões

Depois, durante sete anos, cursou o ginasial e o científico, no Colégio Bittencourt Silva, na Lara Vilela, em um casarão construído em 1845, que fora residência do cônsul da Grécia, e que hoje pertence à UFF.

Aprovado no vestibular, cursou a Escola Fluminense de Engenharia, com poucos alunos. Após a formatura, foi professor de hidráulica no grande chalé da Passo da Pátria ali erguido em um terreno enorme, que vai até a Praia Vermelha.

A vida de Bedran se resumia ao bairro do Ingá até ter que, paralelamente à faculdade, teve que servir no NPOR, no 3° Regimento de Infantaria, no antigo Quartel da Venda da Cruz, em São Gonçalo.

Formado, foi nomeado engenheiro do Governo do Estado do Rio de Janeiro, indo trabalhar na Comissão de Águas e Engenharia Sanitária, num casarão na Avenida Marques do Paraná, que passou para a Cedae e hoje pertence a Águas de Niterói.

Tudo isso, sem contar que Bedran visitava casarões de parentes e amigos, estava constantemente em órgãos públicos, verdadeiras relíquias, como o Palácio Nilo Peçanha, a antiga Prefeitura, a Biblioteca Pública, o Museu Antônio Parreiras, a Assembleia Legislativa, os Tribunais de Justiça e de Contas (este conhecido como bolo de noiva), além de assistir os programas do Chacrinha na Rádio Clube Fluminense, num casarão da Praia das Flechas, e no clube Praia das Flechas, onde participava dos rachas de basquete.

Tudo que viu, ficou gravado na memória, mas as fotos, muitas estão no livro, outras extraviadas ou se deterioraram com o tempo.

– Se fosse hoje, todas as imagens estariam salvas na nuvem do meu celular – diz Bedran.

Gilson Monteiro

Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.

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