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Dezembro

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Alguns meses tem características próprias muito marcantes e dezembro talvez seja o de traçado mais gritante. Para começar, logo nos primeiros dias, tumulto. O trânsito, as calçadas, as lojas, as pessoas, os meios de comunicação. Vão dizer que é por causa do Natal, associado a injeção do 13º. salário, mas não creio que seja somente isso.

Penso que a logomarca de dezembro é a ansiedade. Vários fatores se encontram no mesmo cruzamento como, por exemplo, a descabelante perspectiva de um fim de ano com todos os débitos financeiros e existenciais, quando não quitados pelo menos equacionados. Afinal, foi prometido em dezembro do ano passado, não foi?

Além disso, como o roteiro de uma peça de teatro, tudo tem que entrar em cena na hora certa, com o astral certo, as pessoas certas. Os rituais do Natal, do Ano Novo, as cores das roupas e, mais uma vez, as promessas. Somos escravos de nossas próprias promessas, especialmente em dezembro. Promessas que, não cumprias, se transformam em culpa.

Dizem que é assim em boa parte do mundo, pelo menos onde o ano novo é parecido com o nosso. Em dezembro não só as lojas ficam insuportavelmente cheias, mas também os consultórios médicos (checkups de fim de ano), dentistas, psicólogos, enfim, nós nos preparamos para uma gigantesca batalha invisível que nós mesmos inventamos que é ter que estar bem, muito bem, na hora “da virada”. Como se fôssemos dormir de um jeito no dia 31 para acordarmos de outra forma no dia primeiro de janeiro.

Entre os responsáveis pela alta ansiedade de dezembro está o implacável bombardeio da propaganda em todos os canais de TV, emissoras de rádio, jornais, revistas, panfletos, enfim, todos os meios e comunicação. O que mais vemos e ouvimos é “corra, porque neste Natal você não vai encontrar nada igual”, ou “há quantos natais você promete uma casa nova para morar?” e assim vai. Afinal é a data de maior consumo no ocidente.

Como se livrar disso? Acho que não existe uma receita coletiva para escaparmos desse desvairado consumismo somado a promessas que desabam nos ombros já previamente cansados do Ano Novo. A certeza de que não vale à pena sofrer com tanta ansiedade já é um bom caminho, e que Saúde e Paz, isso sim, é um lema válido de dezembro a dezembro. E quanto ao espírito de Natal, é muito mais profundo e puro do que um smartphone ou uma TV de LCD.

Luiz Antonio Mello

Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.

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