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Claudio Valério, finalmente na UFRJ

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Claudio Valério (3° à esq.) ao tomar posse na UFRJ rodeado por restauradores, professores e o embaixador Marco Antônio Diniz Brandão

Depois de uma luta na justiça federal que durou 11 anos, e um mês após o restaurador Claudio Valério Teixeira completar 70 anos de idade, ele pode finalmente tomar posse, segunda-feira (18/02) como professor adjunto de Arte e Restauro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O niteroiense, que se formou naquela Universidade, é considerado um dos maiores restauradores do país e de renome internacional. Aos 59 anos, ele passou em primeiro lugar no concurso da UFRJ, mas foi preterido injustamente pela candidata que tirou em segundo lugar. O reitor da época alegou que o título de notório saber apresentado por Valério serviria somente para o cargo de professor titular, e não adjunto, numa absurda inversão de valores.

Claudio Valério não desistiu do sonho de ser professor da UFRJ e contratou o advogado Paulo César Gonçalves da Silva. A demanda foi até o Supremo Tribunal Federal, onde o ministro Alexandre de Moraes fez justiça, sacramentando o direito líquido e certo dele assumir o cargo concursado.

Com o aumento da idade da aposentadoria compulsória para 75 anos, Claudio Valério aguarda ansioso a chegada da segunda quinzena de março, início das aulas, para poder exercer por ainda quase cinco anos o magistério com que tanto sonhou.

Vai ser uma oportunidade dele transmitir todo o seu conhecimento e talento,  adquiridos ao longo de mais de cinco décadas como pintor e restaurador de grande número de obras de arte e até de prédios, como o Teatro Municipal de Niterói.

Duas histórias, das muitas que Claudio Valério poderá contar para seus novos alunos são as seguintes:

No início dos anos 80, um escritor endividado procurou Claudio Valério para que ele salvasse o único bem que lhe restava: um quadro do pintor José Pancetti  que, em bom estado, poderia lhe render em valores de hoje R$ 150 mil. Quando Claudio iniciou o trabalho, descobriu, por trás daquela tela, uma outra colada. O escritor pode vender os dois quadros e refazer sua vida.

Outro caso: Ronaldo César Coelho comprou em um leilão em Paris um quadro de Guinard, por 761 mil dólares. Em vez de escolher um restaurador na Europa, Ronaldo escolheu Claudio Valério para realizar a delicada tarefa em seu ateliê, em São Francisco, Niterói. Uma prova do imensurável prestígio e conceito do restaurador niteroiense.

Gilson Monteiro

Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.

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