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Boas Festas, hino do Natal brasileiro, foi composto por Assis Valente em Icaraí

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“Eu pensei/ que todo mundo/ fosse filho/ de Papai Noel”, diz a estrofe de Boas Festas, hino do Natal brasileiro. A canção surgiu há exatos 89 anos num quarto de pensão da praia de Icaraí. O compositor baiano José de Assis Valente estava sozinho e deprimido na noite de 24 de dezembro de 1932 quando escreveu os versos em uma folhinha de calendário. (Ouça o áudio)

“Anoiteceu, /o sino gemeu/ e a gente ficou/ feliz a rezar”, começava em tom tristonho a letra do hino natalino que faria sucesso no ano seguinte na voz de Carlos Galhardo. Nos anos 1970 foi gravada pelos Novos Baianos, ao lado de outros sucessos de Assis Valente, como Brasil Pandeiro e Camisa Listrada.

Segundo o biógrafo Gonçalo Junior (autor de Quem samba tem alegria, publicado em 2014), Boas Festas foi a primeira “letra triste” escrita por Assis Valente. O compositor escreveu Brasil Pandeiro em 1941 pensando em sua musa Carmen Miranda, que não gravou, para decepção do autor. O registro original é dos Anjos do Inferno. Quem também gravou Assis foi Maria Bethânia (Camisa Listrada).

Mas Carmen gravou outras obras, como a original E o mundo não se acabou, sátira ao anunciado fim do planeta. Assis tinha um agudo lado cronista, como mostram Recenseamento e Para onde irá o Brasil. Esta foi orquestrada por Pixinguinha em 1933 (e chegou a provocar sua prisão, porque a obra foi vista como subversão). Mestre Pixinguinha gravou Cai, cai, balão, mais uma canção assinada por Assis.

Intérpretes como Orlando Silva, Nara Leão (Fez bobagem) e Ademilde Fonseca, entre outros, também registraram ao microfone composições de Assis Valente, um dos grandes criadores brasileiros, que ganhou a vida fazendo próteses.

Vida que, no caso de Assis Valente, sempre oscilou delicadamente entre alegria e tristeza. Até que ele decidiu pôr fim a tudo, no final da tarde de 11 de março de 1958, uma terça chuvosa no Rio, em um parquinho onde hoje se situa o largo da Glória, na zona sul carioca. Endividado e entristecido, avisou a várias pessoas que aquele era o último dia. Depois de duas tentativas, primeiro atirando-se do Corcovado e a segunda cortando os pulsos, Assis Valente se despediu da vida. Bebeu guaraná com formicida sentado em um banco de jardim, no Rio de Janeiro.

Gilson Monteiro

Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.

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