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Almoço no Monteiro e cafezinho no Municipal marcaram época em Niterói

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Um outro trecho da Rua da Conceição que também deixa recordações do Centro, fica entre a Almirante Teffé e a Dr Borman. Por isso, nessa fase de retiro forçado, vamos relembrar duas casas que marcaram época na vida de muita gente em Niterói.

O primeiro é o Restaurante Monteiro, que reinou por muito tempo, principalmente, enquanto Niterói foi capital do Estado do Rio. Era o preferido do primeiro time de autoridades do Governo, Legislativo e Judiciário, que se juntavam a políticos que iam fechar acordos; à nata do empresariado, principalmente do mercado imobiliário, que ia sempre fechar algum negócio; profissionais liberais, gerentes de bancos e notários. Era um ambiente alegre, descontraído e de prestígio, mas com muito zunido, pelo falatório e o barulho dos enormes ventiladores, que só foram substituídos por ar-refrigerado muito tempo depois.

A mesa número 10, com 12 lugares, fora montada para agradar o governador comandante Amaral Peixoto. Ela permaneceu até o fechamento da casa em 2012, no mesmo lugar.

O cardápio era farto e variado. Tinha o filé a Monteiro, a francesa, a cavalo e a Oswaldo Aranha; namorado a moda da casa, filé de peixe a americana, leitão a moda da casa, peru a Califórnia, carne seca com tutu à mineira, iscas de fígado acebolada, rim com batata sautée, frango com quiabo, rabada com polenta e agrião, cabrito ao forno. Dá água na boca só de lembrar de tanto prato gostoso servido por um seleto time de garçons educados e prestativos, que colocavam guardanapos brancos num dos braços, como que numa deferência especial ao cliente.

As sobremesas mais pedidas eram a salada de frutas, laranja cortadinha, pudim com ameixa e Romeu e Julieta, com goiabada saborosa e o queijo Minas da fazenda.

A bebida, com muita saída era um suco de laranja ou de limão, com água mineral gasosa, servida em jarra de vidro.

Aos sábados, às famílias iam almoçar no mais tradicional restaurante da cidade. A vida era tranquila e podia-se estacionar os carros com segurança.

O segundo, era o Bar Municipal, que tinha como carro chefe no menu rã e testículo de boi, ambos à milanesa, servidos num balcão enorme, que rodeava a casa, acompanhados de um chope da Brahma gelado.

As mães também iam ao Municipal comprar rãs congeladas, porque a sua carne era nutritiva e ajudava na cura de doenças respiratórias das crianças.

Outra peculiaridade, é que o Municipal abria pela manhã cedo para receber lojistas, profissionais liberais e gerentes de banco que iam tomar o cafezinho do Bom Dia e bater um papo sobre tudo que estava acontecendo na cidade. Do outro lado da rua estava a sede da Prefeitura de Niterói e seu alto escalão também frequentava o Municipal.

Lembro de um pequeno grupo da vida ativa da cidade que batia o ponto naquela esquina movimentada: os irmãos lojistas Alberto e Salomão Guerchon, do ramo mobiliário; Wilson Tauil, tapetes e cortinas; José Dornas Maciel e Vinicius Riciopo, gerentes de banco; Alaor Scisinio e Nilton Flacks, advogados; Jorge Nolasco, contador; Calixto Kalil, diretor do Hospital Antonio Pedro; Waldenir Braganca, médico e depois prefeito da cidade; além de muitos outros que certamente serão lembrados nos comentários abaixo.

O tradicional point de petiscos servia pastéis, empadas, sanduíches de carne assada, bolinhos de bacalhau e refeições rápidas, além do chope gelado e das famosas batidas de limão e de maracujá.

É mais um capítulo de uma vida que existia no Centro de Niterói, que aos poucos foi ficando no passado sem a gente perceber, mas que agora nesse período de retiro social, com bastante tempo para pensar, verificamos que tínhamos lugares agradáveis na Cidade Sorriso. Muita gente era feliz  e não sabia.

Gilson Monteiro

Iniciou em A Tribuna, dirigiu a sucursal dos Diários Associados no Estado do Rio, atuou no jornal e na rádio Fluminense; e durante 22 anos assinou uma coluna no Globo Niterói. Segue seu trabalho agora na Coluna Niterói de Verdade, contando com a colaboração de um grupo de profissionais de imprensa que amam e defendem a cidade em que vivem.

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