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Água na torneira? Só às vezes. Mas conta chega cheia aos moradores de Maricá

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Operários cavam valas para instalar canos e hidrômetros em todas casas, como as da praia de Maricá

Maricá, a cidade que se tornou a mais rica da Região dos Lagos graças aos royalties do petróleo, vive hoje um projeto que poderia ser chamado de “Minha casa, meu hidrômetro”. A concessionária Águas do Rio cava valas de ponta a ponta no município para instalar canos e hidrômetros, mas o líquido precioso continua difícil de chegar às torneiras.

Os moradores relatam que, além de receberem o hidrômetro na porta, já vêm sendo cobrados pela tarifa mínima de consumo. O valor equivale a 15 m³ mensais e varia entre R$ 78 e R$ 104, dependendo da área tarifária. A cobrança de esgoto, calculada em 100% do valor da água, dobra a fatura — mesmo quando a torneira permanece seca.

Estudos de especialistas em recursos hídricos apontam que Maricá enfrenta uma grave deficiência estrutural no abastecimento de água potável. O município não dispõe de mananciais abundantes e sofre com períodos de estiagem. Em outubro, Águas do Rio comunicou que o sistema Imunana-Laranjal, sob gestão da Cedae, operava com capacidade reduzida devido à falta de chuvas.

Para superar o problema, não basta apenas implantar quilômetros de rede distribuidora. Serão necessários investimentos pesados em infraestrutura e soluções alternativas, como exploração de aquíferos e até dessalinização da água do mar. A concessionária prevê investir R$ 360 milhões até 2033, incluindo a ampliação da ETA Ponta Negra, que já consumiu R$ 40 milhões. O projeto de dessalinização ainda está em fase de estudos, sem prazo definido para execução.

Água: quem garante?

As obras para instalação dos canos avançam por todo o canto, mas deixam marcas. Valas abertas e recapeamentos malfeitos geram reclamações de moradores, que apontam pisos desnivelados e perigosos para motoristas.

Há dois anos, a capacidade da ETA Ponta Negra foi triplicada. Mas o reforço não basta quando o verão e os feriados prolongados trazem uma explosão populacional. Nesses períodos, a população flutuante triplica e o sistema entra em colapso. Em 2024 e 2025, a estação chegou a operar com apenas 25% da vazão normal, obrigando a concessionária a recorrer a caminhões-pipa e suspensões temporárias.

Com capacidade de produção estimada em 120 litros por segundo, a Estação de Tratamento de Água (ETA) de Ponta Negra, segundo a concessionária, é tecnicamente capaz de abastecer cerca de 17 mil residências nos bairros litorâneos. Barra de Maricá, Zacarias e Divinéia dependem da ETA do Centro, enquanto Itaipuaçu e Inoã recebem água da Estação de Laranjal, em São Gonçalo.

Os consumidores são cadastrados e obrigados a pagar a tarifa mínima, respaldada pela Lei Federal nº 14.898/2024. O novo marco legal do saneamento também obriga todos os imóveis urbanos a se conectarem à rede pública, mesmo sem abastecimento contínuo. O uso de poços artesianos ou fossas sépticas só é permitido mediante autorização ambiental formal feita pelo INEA, e não isenta o imóvel da obrigação de se manter ligado à rede da Águas do Rio.

Hoje, apenas 34,84% da população de Maricá está conectada à rede central de água potável. A maioria (55,68%) depende de poços artesianos e caminhões-pipa, e outros 4% utilizam poços rasos, frequentemente contaminados. O esgotamento sanitário é ainda mais precário: apenas 5,4% da população tem acesso adequado.

Mesmo com promessas milionárias e obras em andamento, Maricá não está preparado para atender plenamente nem sua população fixa, tampouco a flutuante. Às vésperas do verão, a pergunta que ecoa entre os moradores é direta: quem vai garantir que a água chegue — antes da conta?

Gilberto Fontes

Repórter do cotidiano iniciou na Tribuna da Imprensa, depois atuou nos jornais O Dia, O Fluminense (onde foi chefe de reportagem e editor), Jornal do Brasil e O Globo (como editor da Rio e dos Jornais de Bairro). É autor do livro “50 anos de vida – Uma história de amor” (sobre a Pestalozzi), além de editar livros de outros autores da cidade.

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