Nenhuma celebração dos cem anos de O Globo estaria completa sem o merecido reconhecimento aos jornaleiros — protagonistas muitas vezes invisíveis, que foram decisivos para que a informação chegasse às mãos do povo brasileiro ao longo de um século. Foram eles, com sacrifício e paixão, que enfrentaram madrugadas, chuvas e travessias para manter o país informado, fazendo do jornal não apenas uma empresa de comunicação, mas um elo entre a notícia e o cotidiano.
Se há algo que aprendi ao longo da vida jornalística é que Niterói sempre teve um papel marcante na construção da história brasileira. E a trajetória de O Globo é prova disso: seu fundador, Irineu Marinho, nasceu aqui. Seu nome está inscrito em uma pequena rua de Icaraí, mas sua presença é gigante na memória do jornalismo nacional.
Em 1892, ainda como aluno do Liceu de Humanidades, fundou o Grêmio Literário Silvio Romero e publicou o jornal estudantil, atuando como redator e editor-chefe. No mesmo ano, começou a publicar artigos em O Fluminense, jornal tradicional da cidade, do qual foi colaborador até 1893.
Durante quase um quarto de século, fui colunista de O Globo–Niterói, suplemento que provava a penetração do jornal deste lado da Baía. Essa convivência fraterna me rendeu amigos, histórias e saudades. Aproveito para prestar homenagens póstumas ao querido amigo Ricardo Boechat, que me indicou ao diretor de redação Evandro Carlos de Andrade — dois profissionais que me acolheram com respeito e dignidade.
Minha relação com os jornaleiros sempre foi de proximidade e defesa. Orgulha-me ter participado de lutas pela valorização da categoria, e mais ainda, ter recebido o título de “Jornaleiro Honorário” pelo Sindicato dos Jornaleiros do Estado do Rio, na gestão de Elias de Jorio.
Salvador Sarpa, o “Russo”, é a personificação dessa história. Começou aos 13 anos e permaneceu por 45 anos como distribuidor de O Globo. Mesmo aos 84 anos, conserva o brilho no olhar pela profissão. Ele lembra do tempo em que os jornaleiros atravessavam de madrugada a Baía de Guanabara para apanhar jornais e revistas no Rio, e voltavam carregando tudo nas costas. A inauguração da Ponte Costa e Silva foi um alívio: os exemplares passaram a chegar direto às mãos dos jornaleiros de Niterói, permitindo maior distribuição e valorização profissional.
Nos áureos tempos, O Globo chegava a vender entre 45 a 50 mil exemplares só aos domingos nas bancas niteroienses — e a Coluna Gilson Monteiro, naqueles dias, fazia parte desse fluxo intenso de leitura.
Infelizmente, o avanço da Internet e das redes sociais afastou o público dos jornais impressos. Mas as memórias permanecem vivas. E há histórias que merecem ser eternizadas, como o cuidado detalhista de Roberto Marinho. Passando pelas ruas, observava se O Globo estava pendurado nas bancas ao lado de concorrentes como Jornal do Brasil, Correio da Manhã, Última Hora. Se não estivesse, ele parava e perguntava ao jornaleiro: “Companheiro, por que O Globo não está ali com os demais?” Anotava a resposta — às vezes era por falta de exemplares — e cuidava pessoalmente de corrigir o problema. Pequenos gestos que explicam o sucesso longevo de uma empresa de mídia.
Outro traço marcante foi a origem italiana da maioria dos jornaleiros, o que levou à fundação do Clube Italiano em Piratininga. Roberto Marinho fez questão de se tornar sócio e esteve presente na inauguração da sede — uma demonstração clara de apreço à categoria.
Ao rever essa trajetória, não falo só do centenário de um jornal. Falo da minha própria história, da história de uma cidade, e da história daqueles que, com suor e coragem, fizeram da informação uma missão. Aos meus companheiros jornaleiros, aos colegas de redação, e aos leitores que nos acompanharam: meu mais sincero abraço e gratidão.
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