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Na década de 80 iniciou o êxodo de niteroienses de classe média que viviam em Icaraí, Ingá, Santa Rosa, etc rumo à Região Oceânica. Não suportavam mais a ganância da especulação imobiliária que devastou (e ainda devasta) bairros, ruas, avenidas derrubando a qualidade de vida.

Muitos desses niteroienses habitaram (muitos ainda habitam) os condomínios bem planejados que surgiram na época, que tinham como referência o padrão Ubá, projetados para dar conforto, verde, enfim, qualidade de vida.

A maioria migrou para a Região Oceânica quando casaram e tiveram filhos. Esses filhos foram criados lá praticamente sem contato com o resto da cidade. São os novos niteroienses que quando raramente passam por ruas como a Moreira César, em Icaraí, não acreditam que a insanidade tenha construído aquele paredão de prédios que impede a entrada do sol, ventos.

Eles não acreditam que as pessoas possam ser felizes com os engarrafamentos crônicos de ruas como a Álvares de Azevedo, que foi palco de uma manifestação no último domingo de moradores de Icaraí que pedem o fim da “rua mais engarrafada do Brasil”, como apareceu na convocação no Facebook.

Icaraí, que até a década de 1970 representou o “morar bem”, com as atrocidades imobiliárias (e anuência do poder público) virou uma mini Copacabana, no mau sentido. Um dos símbolos da esculhambação são os quiosques do calçadão da Praia de Icaraí que mais parecem pocilgas, como os de Charitas e da orla da Boa Viagem onde, em geral, o cidadão é recebido pela sujeira tendo como “plus” o desfile de ratazanas.

O novo niteroiense e seus descendentes praticamente não tem amigos “aqui embaixo”. Seus pais estavam sempre caminhando pela Zona Sul da cidade, onde encontravam amigos, batiam um papo, mas a maioria também “subiu” para a Região Oceânica. Hoje, praticamente só há rostos estranhos em ruas como Moreira Cesar, Tavares de Macedo, Gavião Peixoto. Morador de Icarai desde que nasceu, Ronaldo Vierte de 58 anos diz que “para encontrar com um amigo para um bom papo tenho que ligar e subir para a Região Oceânica. Aqui embaixo eles são cada vez mais raros”.

A quantidade de carros com placas de fora circulando “aqui embaixo”, de cidades do interior do Estado ou da região metropolitana é uma comprovação. Pessoas que foram atraídas pela maciça propaganda da indústria imobiliária, que não para de crescer.

A Região Oceânica continua sendo uma boa opção para quem busca qualidade de vida. Apesar do flagelo da falta de luz, de muitas ruas sem pavimentação, o assustador surgimento de prédios “pequenos” (até quando?), ameaça de especulação imobiliária em massa, crescimento das favelas, falta de policiamento.

Por isso, o novo niteroiense tenta lutar pelos seus direitos para que o péssimo exemplo da Zona Sul não se repita.

P.S. – Programa Torpedos de Itaipu, boa música e boas conversas na Rádio Oceânica FM, 24 horas. Quintas e domingos as 22 horas. Para quem estiver na Região Oceânica, a rádio pega muito bem em FM 105,9. Em outros lugares, na internet: www.oceanicafm.radio.br

Luiz Antonio Mello

Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.

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