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Witzel aposta no jogo para sair da crise

Escrito por Gilberto Fontes às 15:50 do dia 9 de janeiro de 2019
Sobre: Bancarrota
09jan

Para evitar a bancarrota do Estado do Rio, prevista pelo governador fluminense Wilson Witzel para acontecer em julho, quando o déficit atual de R$ 8 bilhões nas contas públicas chegará a R$ 11 bilhões, ele defende a legalização do jogo no país como uma das soluções contra a falência do governo estadual.

A proposta não é nova e ressurge sempre em tempos de crise econômica desde que o presidente Eurico Dutra mandou fechar os cassinos em 1946. Há quase 60 anos atrás, o governador Roberto Silveira foi mais pragmático ao seguir o exemplo do governador da Bahia, Juracy Magalhães, fazendo uma legalização branca do jogo do bicho. Em troca, 37 banqueiros do jogo mais popular do país contribuíam mensalmente com cerca de três milhões de cruzeiros, que eram distribuídos pelo governador a 190 casas de caridade fluminenses.

Hoje, Witzel encontra os hospitais sucateados, com pacientes internados em enfermarias e CTIs sem nenhuma refrigeração, dentre tantas outras dezenas de mazelas herdadas de governantes presos pela Operação Lava Jato.

Em agosto de 1960, o então governador Roberto Silveira dizia ao jornal Correio da Manhã: ‘Tolero o jogo do bicho porque ele é a loteria do pobre. Se temos de proibi-lo, não podemos permitir, também, as apostas em corridas de cavalo fora dos prados, as loterias, os bingos nos clubes sociais, e, sobretudo, o pif-paf e suas variações, que levam à corrupção e o vício dentro dos próprios lares, sem que a Justiça e a polícia se ofendam”.

No início de sua gestão, Silveira reprimiu fortemente o jogo fechando os locais de apostas. Logo voltou atrás, depois que um grupo grande de apontadores do jogo do bicho desempregados fizeram protestos na Assembleia Legislativa e no Palácio do Ingá (então sede do governo).

Agora, se a legalização do bicho vai sanear ou não o caixa do governo estadual, somente o tempo dirá. Diga-se que muito tempo ainda haverá de correr até que a legalização do jogo se concretize no país. Até lá, é melhor o governador Witzel não apostar todas as fichas nessa proposta. Deveria cercar pelos sete lados, não o bicho, mas corruptos e corruptores que têm mais sorte com a sonegação fiscal.

 

 

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Gilberto Fontes
Gilberto Fontes
Repórter do cotidiano iniciou na Tribuna da Imprensa, depois atuou nos jornais O Dia, O Fluminense (onde foi chefe de reportagem e editor), Jornal do Brasil e O Globo (como editor da Rio e dos Jornais de Bairro). É autor do livro “50 anos de vida – Uma história de amor” (sobre a Pestalozzi), além de editar livros de outros autores da cidade.
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6 thoughts on “Witzel aposta no jogo para sair da crise

  1. Por causa do Jogo, muitos perderam fortunas, apostaram até a alma e apesar disso, não sou contra a legalização de Cassinos, pelo contrário, sou a favor, mas tem que um controle por CPF para que pessoas não percam fortunas nessas casas. O Jogo pode destruir famílias, mas as bebidas alcoólicas e Cigarros que também destroem e matam, mas são legalizados.

  2. Pois é, você vai pagar uma conta na lotérica e eles estao lá… fazendo sua ‘fezinha’ e pedindo pra mãe dináda acertar os números dos 07 jogos (me corrija se são 07) que Governo foi criando ao longo dos anos.

    O brasileiro não na sua totalidade adora um joguinho razão que concordo com a Fátima Graff… definiu tudo.

  3. Sou favorável à abertura de cassinos somente em região onde existe carência em tudo. Quanto ao ex governador, seu herdeiro mostra o quão encarnou a corrupção no filho e afilhados.

  4. Eu sou a favor da abertura dos cassinos no Brasil, os brasileiros saem e vão jogar fora, deixando milhões de reais que aqui poderiam fazer toda a diferença, gerando, principalmente, empregos!!

  5. Roberto Silveira, com quem eu, então acadêmico de Direito, tive a honra de trabalhar, não pode ser comparado e nem lembrado com nenhum desses governadores do RJ que andam por aí-uns presos e outro, na melhor das hipóteses, deslumbrado.Roberto Silveira foi o melhor, mais sério e competente Governador de sua geração, que não pode e não merece ser comparado a nenhum desses atuais. Era outro o Estado e outros eram os homens publicos- visavam o bem comum e o bem estar do povo, principalmente os menos favorecidos – sem demagogia. Aos 86 anos, sinto-me orgulhoso e honrado por ter sido seu companheiro de ideal.

  6. Esse Governadores é me engana que eu gosto!
    Muita farinha pra pouco saco.
    O Estado do Rio é infeliz na escolha dos seus Governadores!
    Vamos dar tempo ao tempo!
    No futuro falamos.

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