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Sinal verde para a matança nas estradas

Escrito por Luiz Antonio Mello às 08:22 do dia 6 de abril de 2019
Sobre: Liberou geral
06abr

Importante: este artigo foi escrito quinta-feira, 4 de abril de 2019, 14h15m e até então o presidente não voltou atrás, como costuma fazer.

Ao mandar acabar com os radares nas estradas, o presidente Jair Bolsonaro deu sinal verde para a volta da matança. Por ano, morrem nas estradas federais em torno de 50 mil pessoas. Em todo o período da Guerra do Vietnã, entre 1960 e 1975, morreram 58 mil norte-americanos.

A cultura brasileira ignora a prevenção, só respeita a punição, o sarrafo, o “mão na cabeça!, Pernas abertas!”. Nenhuma das dezenas de campanhas educativas ao longo das décadas sobre velocidade nas estradas, dirigir bêbado, etc. teve resultados práticos, além de encherem de dinheiro as contas bancárias das empresas contratadas para fazer as tais campanhas e seus sócios no governo.

Nós, brasileiros, só respeitamos a multa, o reboque, a carteira cassada e nesse cenário os radares são os protagonistas. Todos os indicadores mostram que rodovias com radares apresentam entre 15 e 20% menos acidentes. E com radar não tem papo de propina.

Em Niterói, por exemplo, quem tem o hábito de dirigir bêbado, ou com aqueles três copinhos de cerveja que entornou na gandaia com os amigos, pensa duas vezes por causa da bem nascida e bem sucedida e necessária Operação Lei Seca, que toma a carteira, multa em milhares de reais os meliantes. Sim, quem bebe e dirige é meliante. Pena que a Lei Seca repete os lugares onde fica e muitos motoristas bebuns, sabendo disso, fazem rotas alternativas.

O presidente da República acha que a única função desses equipamentos é arrancar dinheiro do contribuinte e mandou desligar tudo. É como o rei que, para acabar com o bacanal, mandou apagarem a luz do castelo.

Em vários lugares os radares são injustificáveis, servem apenas para meter, mesmo, a mão no bolso do cidadão, mas na maioria das rodovias federais eles são fundamentais e já mostraram eficiência.

Em Niterói, por falta de comunicação do poder público, persiste a lenda de que todos os radares municipais estão desligados porque acabou o contrato com as empresas exploradoras do serviço. Só que muita gente não acredita em prefeitura, disco voador, chupa cabra e mula sem cabeça e continua respeitando. Mesmo porque a prefeitura não costuma sinalizar com clareza onde existe radar, pegando o contribuinte de surpresa. As mais línguas dizem que é de propósito, para faturar mais.

Um exemplo da eficiência e necessidade dos radares é a ponte Rio-Niterói que, em janeiro do ano passado, limitou a velocidade em 80 km/h instalando equipamentos de última geração. Os acidentes são mínimos e as mortes foram zeradas. Antes, a ponte era um autódromo assassino, palco de acidentes graves, banho de sangue. Se os seus radares forem desligados, a loucura vai voltar a reinar e o cidadão terá que conviver com a matança provocada, principalmente, por caminhões, “donos” daquela via. Assim como os ônibus, “donos” de Niterói, que fazem o que bem entendem na cidade sem serem importunados.

Desligar os radares de velocidade é uma insanidade que nem a era das trevas protagonizada por Dilma-Temer proporcionou. Mas, não tem jeito. Tem gente que pensa e tem gente que cisma.

O presidente é do segundo grupo.

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# Online o nosso super programa. Para ouvir é só clicar aqui: https://bit.ly/2KkqqNB . Aguardo sua opinião.

# Testemunho de Luis Araújo, do coletivo Pedal Sonoro, www.pedalsonoro.com.br : “Hoje (dia 04-04-2019, quinta-feira) fui fotografar próximo ao Guanabara x Rua São Lourenço. Presenciei cones posicionados a 40cm da guia, alguns derrubados e a maioria absoluta dos ciclistas passando por fora da CICLOFARSA, tudo isso sob o olhar omisso de uma funcionária da NitTrans a poucos metros de distância.

Inconformado com tamanho descaso, esperei o sinal fechar e reposicionei os cones de maneira adequada, a fim de garantir uma segurança mínima para quem pedala.

Para minha surpresa, a operadora de trânsito entrou em ação e tirou de novo os cones do lugar. Até quando vamos aceitar essa palhaçada? 

# Consultórios de ortopedistas e fisioterapeutas lotados de vítimas de buracos, desvios, rombos nas calçadas da cidade. Principalmente idosos. Por lei, quem deve cuidar das calçadas são os donos dos imóveis, mas como a cidadania nem sempre frequenta o nosso DNA impera a lambança.

# O Disque-denúncia chegou ao whatsapp. O número é (21) 99973-1177.

#  É muito triste a morte lenta das lagoas de Itaipu e Piratininga, abandonadas a própria falta de sorte. O Conselho Comunitário da Região Oceânica (CCRON), desde 1989 fazendo um trabalho exemplar, denuncia, pede providências mas o poder público ignora. A página do Conselho no Facebook fica emhttps://bit.ly/2CZ4mBN. Participe!

# A prefeitura arrancou mais uma árvore da rua Leonardo Vilas Boas, em São Francisco. Era só fazer uma poda e um tratamento, mas preferiram ceifar. O mesmo aconteceu com dois coqueiros há uns dois anos.

# Em compensação, a Secretária de Conservação, Dayse Monassa, anunciou o plantio de dezenas de árvores na avenida Franklin Roosevelt (canal) também em São Francisco.

# E o Cinema Icaraí que continua abandonado?

 

 

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Luiz Antonio Mello
Luiz Antonio Mello
Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.
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One thought on “Sinal verde para a matança nas estradas

  1. Que absurdo de matéria… A lógica e tão ignorante que ao aplica-la seria mais prático proibir a venda automóveis a sociedade… Não parei de rir até agora!

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