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O sonho da bicicleta elétrica

Escrito por Luiz Antonio Mello às 08:04 do dia 1 de dezembro de 2018
Sobre: Mobilidade
01dez

Niterói poderia surfar na vanguarda caso desse tratamento digno aos ciclistas, as ciclofaixas e aos pedestres. Mas não dá. Poderia ser a capital do transporte alternativo não poluente seguindo uma tendência mundial, mas a desordem urbana já transformou a bicicleta em vilã.

Com a ausência ou anuência das autoridades, as chamadas bikes andam em alta velocidade em calçadas, ameaçando a vida dos pedestres, em especial os idosos. Toda hora tem uma confusão em Icaraí, Ingá, São Francisco, pedestres indignados e ciclistas com seus fones enfiados nos ouvidos desprezando, não só os pedestres e como os princípios básicos da cidadania.

Deixei de acreditar na popularização da bicicleta elétrica no Brasil quando vi o preço numa revenda. Um modelo aero 24, custa…quase R$ 7 mil! As menores custam R$ 5 ou R 6 mil. Há quem consiga marcas de baixo padrão por R$ 4 mil, fora os loucos que compram usadas na internet, sem ver, sem testar e, pior, sem verificar a “saúde” da bateria que é o item mais caro, como você pode conferir fazendo uma busca na internet.

Em geral a bicicleta elétrica tem autonomia de 30 quilômetros com velocidade máxima de 30 km/h. São bons números. Não fazem barulho nenhum, não poluem (lógico) e gastam quase nada de energia elétrica. Busquei essa informação no conceituado site Tecmundo, de tecnologia:

“Para recarregar a bateria de uma bike elétrica como LEV E-bike, você vai gastar nada mais do que R$ 0,25 na sua conta de luz no fim do mês. Com uma carga cheia, o modelo consegue rodar 35 quilômetros. Isso significa que, com os R$ 3,50 que você gastaria em menos de 1 litro de gasolina, você vai poder viajar 490 quilômetros com a sua magrela — talvez um pouco menos caso enfrente muitas subidas, mas ainda assim é um valor impressionante.

Se você faz um trajeto de 45 quilômetros por dia para ir e voltar do trabalho (ou seja, usando 1 litro por dia), gastará, em média, R$ 17,50 por semana e R$ 70 por mês com uma moto de 125 cilindradas. Já com a bicicleta elétrica, fazendo o mesmo percurso diário, o gasto semanal será de R$ 1,25 e o mensal sairá por R$ 5 — praticamente uma xícara de café. Faça as contas em um ano e compare a economia com combustível.”

O preço absurdo da bicicleta elétrica não é praga brasileira. Nos Estados Unidos custa R$ 5 mil, sem impostos. Claro, a renda média do norte-americano é muito maior, mas mesmo assim a bike elétrica é cara também por lá.

Em várias cidades do mundo desenvolvido, o serviço público, que é publico mesmo e não cofrinho de salafrários, investe em bicicletas elétricas de uso comum, aquele esquema de rodízio, pegar, rodar e deixar num lugar pagando pouquíssimo. Esses pontos tem tomada para recarga, abrigo e capa de proteção. Por que a prefeitura de Niterói não pensa em algo assim com bicicletas comuns, como existe no Rio, já que é inviável financeiramente usar elétricas? Lá as “laranjinhas” são de um grande banco que poderia fazer o mesmo por aqui.

O alto preço é também o grande obstáculo do carro elétrico no Brasil. Temos no país seis modelos elétricos e híbridos (elétrico/gasolina) em revendas: Toyota Prius – R$ 126.600; Lexus CT200h – R$ 135.750; Ford Fusion Hybrid – R$ 160.900; BMW i3 – R$ 159.950; Porsche Cayenne Hybrid – R$ 430 mil; BMW i8 – R$ 799.950. No mundo todo o elétrico não se popularizou por causa do preço. Exceção para o Toytoa Prius, cinco milhões de unidades vendidas no mundo, muito comprado nos Estados Unidos, apesar de ser um os objetos industrializados mais feios da história da civilização, principalmente a traseira que parece um projeto bêbado do batmóvel.

A bicicleta para Niterói seria uma ótima alternativa, desde que houvesse condições de uso seguras para os ciclistas. Todos os fabricantes, urbanistas, usuários dizem que a geografia da cidade é extremamente compatível, mas uma cidade não depende só da geografia para evoluir. Depende muito mais de vontade política.

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Luiz Antonio Mello
Luiz Antonio Mello
Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.
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2 thoughts on “O sonho da bicicleta elétrica

  1. Luiz Antônio, você tem toda razão. Concordo com a questão da desordem e do desrespeito de ciclistas e pedestres e devo acrescentar também os motoristas que não respeitam nenhum dos dois anteriores. Niterói tem potencial pra muito mais. Acho importante destacar que algumas iniciativas já emplacaram funcionam muito bem. Por exemplo o bicicletário da praça arariboia o qual uso diariamente para me deslocar ao trabalho. A integração com as barcas também é um sucesso.

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