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E Niterói, governador?

Escrito por Luiz Antonio Mello às 08:26 do dia 19 de janeiro de 2019
Sobre: Lado esquecido
19jan

Nunca antes na história desse país uma autoridade do Executivo listou 203 (!!!) prioridades (ou metas) para 60 dias de governo, como fez governador Wilson Witzel em seu discurso de posse. O mais grave: Niterói sequer foi citada.

A cidade não mereceu uma mísera referência pública na campanha, na posse e muito menos agora, mas presenteou com sua confiança o então totalmente alienígena que teve uma vitória eleitoral surpreendente. Witzel levou com 38,3% dos votos para governado no segundo turno com 103.164 votos. Espero, sinceramente, que depois de quatro anos não digam que Niterói vota mal.

A cidade exige o básico: mais polícia, mais hospitais gerais (o Azevedo Lima, sozinho, não suporta a demanda), mais Lei Seca, enfim, mais governo.

Não conheço e sequer ouvi falar de nenhum eleitor do governador, mas deve haver entre eles o clássico argumento de que o governo acabou de começar, não tem nem um mês, mas isso não muda nada. Pelos sinais, a geopolítica que habita a cabeça do governador ignora Niterói.

W.W. passou a semana reclamando da dívida do Estado do Rio (até os pombos sabem que o Estado faliu há anos, nas mãos da corrupção), fez até flexões na troca de comando do Batalhão do Bope (foto), lamentou mortes e outras a vítimas do terror. Mas parece ainda estar curtindo o vedetismo da vitória e da fama repentina. Não esconde que é candidatíssimo a presidência da República.

Há uma informação não confirmada de que na semana que vem W.W. deverá aparecer em Niterói. O que a cidade espera do governador não são elogios, sorrisos, medalhas, troféus, faixas de seda. A cidade exige respeito e consideração. Respeito e consideração que o presidiário e ex-governador Pezão jamais teve pela cidade onde hoje, por ironia, está preso. Como se sabe, o ex-governador está encarcerado (sem previsão de soltura) na unidade prisional Vieira Ferreira Neto, que fica no Fonseca e é vizinha a outras duas penitenciárias; uma para funcionários públicos e a segunda, presos em regime semiaberto.

Desde 1998, todos os quatro governadores eleitos para comandar o estado foram presos por corrupção. Antes de Pezão, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho e Sérgio Cabral foram parar na cadeia.

                                                    @@@

@ Inchando descontroladamente, sem infraestrutura, praticamente abandonada, a Região Oceânica continua apanhando. Quarta-feira passada, de manhã cedo, os assinantes da Vivo que moram no Campo Belo e entorno (próximo a entrada de Itacoatiara) ficaram com todos os serviços fora do ar até a manhã de quinta-feira.

@ Novidade no cruzamento de ruas Álvares de Azevedo e Gavião Peixoto durante o dia. Bandidos disfarçados de pedintes, armados, tem assaltado motoristas. Quarta-feira, meio dia e meia (!), ruas lotadas, um deles fez várias vítimas. Aproveita que não há guardas municipais e muitos menos de trânsito no local.

@ A luz voltou a piscar em São Francisco e Charitas. Sobrecarga por causa do calor. A empresa distribuidora, que não é incomodada pelas autoridades, não investe e já disse que não pode combater o roubo de energia em comunidades como o complexo do Preventório porque o tráfico não deixa.

@ Até quando o governador Witzel vai deixar que o 12º. Batalhão da PM, que já não tem efetivo suficiente para aguentar Niterói, tem que atender também Maricá?

@ Sabem a modinha de brincar de primeiro mundo levando o cachorro para passear na rua, mas recolhendo as fezes e colocando num saco plástico? A modinha passou. Quem anda pelo miolo de Icaraí tem que olhar fixamente para o chão onde os pets disparam seus mísseis e os donos deixam pra lá.

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Luiz Antonio Mello
Luiz Antonio Mello
Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.
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3 thoughts on “E Niterói, governador?

  1. Nunca vi um ego tão inflado! O RJ merecia coisa melhor. Será que ainda não caiu a ficha que ele tem que trabalhar? Afinal de contas, ganha às nossas custas, mas o que parece é ser tão somente um fanfarrão.

  2. Os quiosques instalados na praia de Icaraí destinados à venda de côco, livres de fiscalização, se tornaram verdadeiras imundícies, ridicularizando sobrenaneira o visual espetacular daquele reduto.

  3. O abandono da cidade pela administraçâo publica nâo é novidade! Obras mal planejadas como a transoceânica um “projeto de mais de 40 anos”( um tanto desatualizado nâo é mesmo? Considerando que a ligaçâo com a regiâo Oceânica estaria em Charitas no terminal de Catamarä um transporte classe A) Nem mesmo a obra foi concluida, evidenciando a inadequaçâo da dimensâo das vias para o transporte ” de massa” previsto por ônibus e nem facilitou o transporte publico de usuários dessa regiâo ! Para os usuários de automóveis, sim, parece ter sido util apesar do grande fluxo de veículos, que atormenta diariamente principalmente os moradores dos bairros de Charitas e Sâo Francisco, com engarrafamentos e buzinaços. Esses bairros, como se nâo bastassem esses tumultos, engrossam as estatisticas da cidade por casos de violência e, mais recentemente, de denúncias de aglomeraçâo de pessoas usuárias de drogas! Niterói pede socorro há anos!… e, muito em breve, pela ocupaçâo desordenada, ausência de fiscalizaçâo e de açôes de INTELIGÊNCIA policial regulares para reprimir a criminalidade, lamentaremos ainda mais o aumento de armas e os tiroteios sem fim, iludidos que estaremos “protegidos” dentro de condominios, pois mesmos esses, têm tido já vários registros !

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