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O novo niteroiense

Escrito por Luiz Antonio Mello às 08:24 do dia 11 de novembro de 2017
Sobre: Filhos do êxodo
11nov

Na década de 80 iniciou o êxodo de niteroienses de classe média que viviam em Icaraí, Ingá, Santa Rosa, etc rumo à Região Oceânica. Não suportavam mais a ganância da especulação imobiliária que devastou (e ainda devasta) bairros, ruas, avenidas derrubando a qualidade de vida.

Muitos desses niteroienses habitaram (muitos ainda habitam) os condomínios bem planejados que surgiram na época, que tinham como referência o padrão Ubá, projetados para dar conforto, verde, enfim, qualidade de vida.

A maioria migrou para a Região Oceânica quando casaram e tiveram filhos. Esses filhos foram criados lá praticamente sem contato com o resto da cidade. São os novos niteroienses que quando raramente passam por ruas como a Moreira César, em Icaraí, não acreditam que a insanidade tenha construído aquele paredão de prédios que impede a entrada do sol, ventos.

Eles não acreditam que as pessoas possam ser felizes com os engarrafamentos crônicos de ruas como a Álvares de Azevedo, que foi palco de uma manifestação no último domingo de moradores de Icaraí que pedem o fim da “rua mais engarrafada do Brasil”, como apareceu na convocação no Facebook.

Icaraí, que até a década de 1970 representou o “morar bem”, com as atrocidades imobiliárias (e anuência do poder público) virou uma mini Copacabana, no mau sentido. Um dos símbolos da esculhambação são os quiosques do calçadão da Praia de Icaraí que mais parecem pocilgas, como os de Charitas e da orla da Boa Viagem onde, em geral, o cidadão é recebido pela sujeira tendo como “plus” o desfile de ratazanas.

O novo niteroiense e seus descendentes praticamente não tem amigos “aqui embaixo”. Seus pais estavam sempre caminhando pela Zona Sul da cidade, onde encontravam amigos, batiam um papo, mas a maioria também “subiu” para a Região Oceânica. Hoje, praticamente só há rostos estranhos em ruas como Moreira Cesar, Tavares de Macedo, Gavião Peixoto. Morador de Icarai desde que nasceu, Ronaldo Vierte de 58 anos diz que “para encontrar com um amigo para um bom papo tenho que ligar e subir para a Região Oceânica. Aqui embaixo eles são cada vez mais raros”.

A quantidade de carros com placas de fora circulando “aqui embaixo”, de cidades do interior do Estado ou da região metropolitana é uma comprovação. Pessoas que foram atraídas pela maciça propaganda da indústria imobiliária, que não para de crescer.

A Região Oceânica continua sendo uma boa opção para quem busca qualidade de vida. Apesar do flagelo da falta de luz, de muitas ruas sem pavimentação, o assustador surgimento de prédios “pequenos” (até quando?), ameaça de especulação imobiliária em massa, crescimento das favelas, falta de policiamento.

Por isso, o novo niteroiense tenta lutar pelos seus direitos para que o péssimo exemplo da Zona Sul não se repita.

P.S. – Programa Torpedos de Itaipu, boa música e boas conversas na Rádio Oceânica FM, 24 horas. Quintas e domingos as 22 horas. Para quem estiver na Região Oceânica, a rádio pega muito bem em FM 105,9. Em outros lugares, na internet: www.oceanicafm.radio.br

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Luiz Antonio Mello
Luiz Antonio Mello
Jornalista, radialista e escritor, fundador da rádio Fluminense FM (A Maldita). Trabalhou na Rádio e no Jornal do Brasil, no Pasquim, Movimento, Estadão e O Fluminense, além das rádios Manchete e Band News. É consultor e produtor da Rádio Cult FM. Profissional eclético e autor de vários livros sobre a história do rádio e do rock and roll.
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10 thoughts on “O novo niteroiense

  1. Fiz o trajeto Icaraí-RO em 2008 pois sempre quis criar meus filhos (10 e 06) em casa e não apartamento e de lá pra cá é espantoso o crescimento desordenado da região, principalmente em relação ao trânsito… Agora então com essa OBRA MALDITA um percurso feito em 15 minutos pode levar 1 hora, dependendo do dia/horário/circunstância………… 😖

    Mas ainda assim não volto pra Icaraí

  2. CONTROLE POPULACIONAL JÁ! Há umas dezenas de milhões de pessoas vindo por aí nas próximas décadas no Brasil. Onde irão morar? Como irão se alimentar? No que vão trabalhar? Como irão se deslocar? Não vejo ninguém tocando nesse assunto, só vejo pessoas reclamando dos efeitos do problema (falta d’água; aumento da pobreza; destruição de áreas preservadas para construção civil; trânsito cada vez mais caótico; mais lixo e destruição ambiental). Que tal pararmos de reclamar das consequência e começarmos a nos preocupar com A CAUSA?

  3. Estão transformando os atuais lotes, em dois espaços. Até quando? Será que é para cobrar o dobro de IPTU por uma menor qualidade de tudo ?

  4. A cidade de Niteroi está saturada em todos os pontos, aqui tem pessoas vindas de todas as outras regiões. A especulação imobiliária continua e mesmo com crise no País continua-se explorando os seus atrativos para encher os cofres e dar cartaz ao prefeitinho!

  5. A prefeitura se encarrega de destruir a regiao oceanica e pendotiba incentivando a mesma destruicao, desmatamento e especulcao imobiliraria que fizeram na decada de 80 em icarai.

  6. Sou niteroiense que veio para Itacoatiara nos anos 80, criei meus filhos aqui e tenho medo do que está se tornando nossa outrora paradisíaca praia. Minha neta ama a praia, mas não temos frequentado como antes, por causa da invasão desenfreada nos dias de sol e calor. São hordas e mais hordas de gente que grita, picha muros, joga lixo em toda parte, deixando o bairro emporcalhado depois dos finais de semana.

  7. Dentre os bairros daqui de “baixo” o único que ainda preserva algumas características e que se pode encontrar com amigos a pé para um bom papo é São Francisco… exceto pela violência cada dia maior…

  8. Fomos uma dessas famílias q migraram p a RO em busca de melhor qualidade de vida. Foi bom até que tudo mudou. Praias invadidas, lixo por toda parte, lagoas ameaçadas de extinção, obras que não acabam e tiram o sono dos moradores.
    A RO não tem p onde crescer. Só p cima. Corre o risco de aumentarem o gabarito dos prédios aí nada adiantou.

  9. Luiz Antônio Mello, você disse tudo e mais um pouco ! Realmente, hoje, são dois mundos diferentes, de stress, qualidade de vida e gostar de viver como em Icaraí e arredores, há anos …

    Estão começando a fazer na Região Oceânica, o que já fizeram e continuam fazendo “lá embaixo”.

    O poder público abre os braços para receber mais Iptus e impostos, via valor venal cada vez mais alto;

    Camboinhas já está totalmente saturado !, Itaipu, sempre abandonado, por falta de interesse em preservação, Itacoatiara, embora com a natureza á favor, (montanhas, mata atlântica e 800 metros de praia), caminhando á passos largos para a degradação de sua restinga. A associação de moradores diz que faz e a prefeitura diz que acredita… e por aí vai,

    Esse filme, nossa geração já viu e não gostou !

    Quem sabe, com seus comentários, alguém acorde e comece a proteger os seus entes queridos. Afinal de contas, “eles” também têm.

    Carlos Eduardo Menezes

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